
Retrato de João Federico Ludovice
Johan Friedrich Ludwig nasceu a 9 de março de 1673 no Castelo de Honhardt, na Suábia. O seu pai, administrador da vila que pertencia à livre cidade imperial de Schwabisch Hall, morre quando Johan tinha 14 anos de idade. É aí que, sob a proteção de seu padrinho, homem rico e entusiasta construtor, dá os primeiros passos na arquitetura, contactando com a construção tradicional da região, onde é aplicada uma estrutura de madeira, tipo gaiola antissísmica que mais tarde Ludovici aplica nas suas construções em Lisboa anteriores ao terramoto de 1755 e que inspirará a famosa “gaiola pombalina” na reconstrução de Lisboa.
Começa na arquitetura a acompanhar o tio, mas cedo ingressa numa oficina de ourives, o que era normal à época, em que as artes eram desenvolvidas em conjunto – ourivesaria, escultura, pintura e arquitetura. É como discípulo que parte com o seu mestre para Roma, corria o ano de 1697, com o objetivo de trabalhar na decoração da Igreja de Gesú, dos Jesuítas. Em Itália, adapta o nome e passa a assinar Giovanni Federico Ludovici, nome com que é batizado quando se converte ao Catolicismo logo no ano seguinte, abjurando do Luteranismo. Em 1700, já como católico, casa com Clara Agnese Morelli, filha de um rico comerciante.
É nesse ano que chega a Lisboa e passa a assinar os seus trabalhos como João Federico Ludovice, ou, simplesmente, “Federico”, nome que homenageamos no nosso restaurante. Vem como artista exclusivo dos Jesuítas, com trabalhos atribuídos na Igreja de Santo Antão, mas a sua fama precede-o e o rei, D. Pedro II, requer também os seus serviços. Nos primeiros anos, Ludovice dedica-se à ourivesaria – desenha a peça e cinzela-a ou manda-a executar em Itália, conforme tradição da época.
O ouro e diamantes do Brasil, associados ao gosto barroco, exuberante e grandioso, onde cada edifício ou escultura era prova do poder do Rei, levaram à construção de imponentes monumentos – o Palácio Convento de Mafra foi um deles, com a primeira pedra colocada a 17 de novembro de 1717, obra que dirigiu até 1730, data da Sagração da Basílica. É ao serviço do rei D. João V que Federico Ludovice exerce as funções de arquiteto mor do reino de Portugal, cargo que só verá confirmado oficialmente já com o rei D. José I, em 1751. De ourives a arquiteto, artes que igualmente desempenha, projeta Mafra e a Nova Patriarcal, inicia o primeiro projeto para o Aqueduto das Águas Livres, realiza uma intervenção na Sé de Lisboa e coordena vários dos projetos arquitetónicos joaninos.
Na cidade de Lisboa é incontornável a visita à Igreja de São Domingos, que espreita nas estreitas ruas bem perto do Rossio. Considerada uma das mais belas da capital portuguesa, data do século XIII – palco da vida, com casamentos e batizados reais, mas também palco da morte, uma vez que eram dela que saíam em procissão os condenados à fogueira pela Inquisição de Lisboa. Após o terramoto muito se perdeu, mas a Capela-Mor com a assinatura de Ludovice subsistiu.
João Federico Ludovice morre em 1752: rico, respeitado e deixando a sua assinatura em monumentos que são, até hoje, ex-libris de Portugal. Outros tantos, levou-os o Terramoto que se viria a abater sobre Lisboa a 1 de novembro de 1755; dele nasceria uma outra cidade…
Uma curiosidade da sua vida e prova do seu temperamento, que nos vislumbra um pouco do homem além do artista… Em 1700, pouco depois de casar, Johan voltou à sua terra natal, mas houve divergências familiares profundas e partiu dizendo que ia para a América. Nunca mais deu notícias à família; mesmo depois da morte da mãe, em 1729, não reivindicou o seu quinhão da herança. Após 30 anos dado como desaparecido, o conselho de Hall dá-o como morto e distribui a sua parte pelos irmãos. Johan tinha, de facto, morrido… Para renascer João Federico Ludovice, na cidade de Lisboa, onde deixaria indelével legado que até hoje persiste!
Começa na arquitetura a acompanhar o tio, mas cedo ingressa numa oficina de ourives, o que era normal à época, em que as artes eram desenvolvidas em conjunto – ourivesaria, escultura, pintura e arquitetura. É como discípulo que parte com o seu mestre para Roma, corria o ano de 1697, com o objetivo de trabalhar na decoração da Igreja de Gesú, dos Jesuítas. Em Itália, adapta o nome e passa a assinar Giovanni Federico Ludovici, nome com que é batizado quando se converte ao Catolicismo logo no ano seguinte, abjurando do Luteranismo. Em 1700, já como católico, casa com Clara Agnese Morelli, filha de um rico comerciante.
É nesse ano que chega a Lisboa e passa a assinar os seus trabalhos como João Federico Ludovice, ou, simplesmente, “Federico”, nome que homenageamos no nosso restaurante. Vem como artista exclusivo dos Jesuítas, com trabalhos atribuídos na Igreja de Santo Antão, mas a sua fama precede-o e o rei, D. Pedro II, requer também os seus serviços. Nos primeiros anos, Ludovice dedica-se à ourivesaria – desenha a peça e cinzela-a ou manda-a executar em Itália, conforme tradição da época.
O ouro e diamantes do Brasil, associados ao gosto barroco, exuberante e grandioso, onde cada edifício ou escultura era prova do poder do Rei, levaram à construção de imponentes monumentos – o Palácio Convento de Mafra foi um deles, com a primeira pedra colocada a 17 de novembro de 1717, obra que dirigiu até 1730, data da Sagração da Basílica. É ao serviço do rei D. João V que Federico Ludovice exerce as funções de arquiteto mor do reino de Portugal, cargo que só verá confirmado oficialmente já com o rei D. José I, em 1751. De ourives a arquiteto, artes que igualmente desempenha, projeta Mafra e a Nova Patriarcal, inicia o primeiro projeto para o Aqueduto das Águas Livres, realiza uma intervenção na Sé de Lisboa e coordena vários dos projetos arquitetónicos joaninos.
Na cidade de Lisboa é incontornável a visita à Igreja de São Domingos, que espreita nas estreitas ruas bem perto do Rossio. Considerada uma das mais belas da capital portuguesa, data do século XIII – palco da vida, com casamentos e batizados reais, mas também palco da morte, uma vez que eram dela que saíam em procissão os condenados à fogueira pela Inquisição de Lisboa. Após o terramoto muito se perdeu, mas a Capela-Mor com a assinatura de Ludovice subsistiu.
João Federico Ludovice morre em 1752: rico, respeitado e deixando a sua assinatura em monumentos que são, até hoje, ex-libris de Portugal. Outros tantos, levou-os o Terramoto que se viria a abater sobre Lisboa a 1 de novembro de 1755; dele nasceria uma outra cidade…
Uma curiosidade da sua vida e prova do seu temperamento, que nos vislumbra um pouco do homem além do artista… Em 1700, pouco depois de casar, Johan voltou à sua terra natal, mas houve divergências familiares profundas e partiu dizendo que ia para a América. Nunca mais deu notícias à família; mesmo depois da morte da mãe, em 1729, não reivindicou o seu quinhão da herança. Após 30 anos dado como desaparecido, o conselho de Hall dá-o como morto e distribui a sua parte pelos irmãos. Johan tinha, de facto, morrido… Para renascer João Federico Ludovice, na cidade de Lisboa, onde deixaria indelével legado que até hoje persiste!






